Logística Inteligente: China na vanguarda, Brasil em movimento

Filipe Christianetti - Divulgação


A China opera hoje os centros logísticos mais automatizados do mundo. Gigantes como JD.com e Alibaba mantêm galpões quase totalmente autônomos, onde robôs realizam entre 80% a 90% das operações de separação, embalagem e movimentação interna, com humanos atuando apenas na supervisão estratégica ou em questões pontualmente planejadas. Drones realizam entregas em zonas rurais, e/ou de difícil acesso, veículos autônomos têm destaque no transporte interno das plantas industriais e sistemas de inteligência artificial gerenciam estoques de milhões de itens em tempo real, com precisão impossível para operações manuais.

Essa evolução coloca a China entre os maiores polos de robótica aplicada à logística do mundo, com densidade de robôs industriais superior à média global em setores de armazenagem e distribuição, segundo relatórios da IFR (International Federation of Robotics, 2024). O mais relevante não é apenas a tecnologia em si, mas a escala: a capacidade de replicar modelos altamente automatizados em milhares de centros ao mesmo tempo.

Esse nível de maturidade não surgiu do acaso. Foi construído com décadas de investimento público e privado em infraestrutura, incentivos fiscais à inovação e uma cadeia de fornecedores de tecnologia robusta e competitiva, que barateou o acesso à automação em escala nacional. Destaca-se aqui o provérbio chinês: “Se você quiser prosperar, primeiro construa estradas”. Tomando a liberdade de atualizarmos este provérbio ao nosso momento atual, dizemos: “Se você quiser prosperar, primeiro construa estradas e que estas estradas também sejam caminho de infraestrutura tecnológica e de fontes energéticas também”.

Esse movimento foi acelerado por uma estratégia de Estado de longo prazo, onde infraestrutura física e digital evoluíram de forma integrada. Iniciativas como a expansão da rede logística nacional e a digitalização da cadeia produtiva permitiram que a China reduzisse gargalos e elevasse a eficiência do fluxo de mercadorias em escala continental. Estudos da McKinsey (2024) indicam que ganhos de produtividade logística podem reduzir custos totais da cadeia em até dois dígitos quando há integração entre infraestrutura e automação.

No Brasil, o movimento existe e avança. Centros logísticos de nova geração crescem em regiões como na região metropolitana de Porto Alegre/RS, Cajamar/SP e Extrema/MG, incorporando automação, IoT industrial, sistemas WMS integrados e energia solar. Grandes operadores já colhem ganhos expressivos de produtividade, redução de erros e previsibilidade de custos com essas tecnologias. O desafio brasileiro, no entanto, ainda passa por obstáculos estruturais: infraestrutura viária precária, carga tributária elevada, burocracia e custo de importação de equipamentos robóticos encarecem e atrasam a adoção em larga escala, especialmente para médias empresas.

Mesmo assim, o setor logístico brasileiro vem crescendo de forma consistente, impulsionado principalmente pelo e-commerce e pelo agronegócio. Segundo dados do IPEA (2025), os custos logísticos no Brasil permanecem elevados em comparação internacional, representando uma parcela significativa do PIB, o que evidencia ainda mais o potencial de ganho com digitalização e automação das operações.

O gap é real, mas reduzível. O caminho que a China percorreu levou décadas e começou exatamente onde o Brasil está agora: com operações pioneiras, tecnologia importada e uma visão de longo prazo sendo construída projeto a projeto. Conhecer o que a China já consolidou foi o melhor mapa para encurtar o trajeto e evitar os erros que atrasam quem começa do zero, ou melhor, do local em que estamos e onde a China estava alguns anos atrás.

*Filipe Christianetti é diretor de Negócios e Desenvolvimento do Ecoparque Lourenço & Souza e CEO da Chico Imóveis

Emerson Tormann

Técnico Industrial em Elétrica e Eletrônica, especializado em Tecnologia da Informação e Comunicação. Atualmente, é Editor-Chefe na Atualidade Política Comunicação e Marketing Digital Ltda. Possui ampla experiência como jornalista e diagramador, com registro profissional DRT 10580/DF. https://etormann.tk | https://atualidadepolitica.com.br

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