Governadora Celina Leão (PP), anuncia ocupação do CAD-DF e projeta economia bilionária aos cofres públicos
Foto: Paulo Henrique Carvalho.
A governadora Celina Leão decidiu enfrentar um dos símbolos mais antigos de impasse administrativo no Distrito Federal: o Centro Administrativo do Distrito Federal, o CAD-DF, antigo Centrad. Depois de anos de debates, disputas e indefinições, o governo dá início a uma nova etapa, marcada pela ocupação gradual do espaço, redução de gastos públicos e descentralização da máquina administrativa.
Muito se falou sobre a ocupação do CAD-DF, mas a verdade apresentada pelo Governo do Distrito Federal é simples: hoje, o espaço atende às exigências legais para receber órgãos públicos. O GDF realizou as intervenções necessárias para a obtenção do Relatório de Impacto de Trânsito, etapa fundamental para a emissão do Habite-se. Com a documentação regularizada e as vistorias concluídas, o prédio está apto para receber as secretarias.
Em até 90 dias, 31% do CAD-DF estará ocupado por órgãos do Governo do Distrito Federal. O anúncio foi feito nesta terça-feira (9), durante coletiva de imprensa conduzida por Celina Leão, que classificou a medida como uma decisão histórica para reduzir despesas, melhorar a eficiência da administração pública e impulsionar o desenvolvimento da região entre Taguatinga, Ceilândia e Samambaia.
Nesta primeira etapa, cinco secretarias serão transferidas integralmente para o complexo. Também passarão a funcionar parcialmente no local a Casa Civil, a Casa Militar e a Secretaria de Governo. Inicialmente, cinco blocos serão ocupados, com capacidade para receber até 1.638 servidores.
A primeira pasta a iniciar a mudança será a Secretaria de Obras e Infraestrutura. Também estão previstas as transferências da Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Habitação, da Secretaria de Mobilidade, da Secretaria do Meio Ambiente e da DF Legal.
A decisão tem forte peso político e administrativo. Ao ocupar o CAD-DF, Celina Leão coloca em funcionamento uma estrutura que ficou parada por mais de uma década e transforma um problema antigo em oportunidade de economia e desenvolvimento. Para o governo, virar a página também significa fazer funcionar aquilo que por muito tempo representou desperdício, abandono e falta de solução.
A mudança será feita com responsabilidade. O governo pretende aproveitar o mobiliário e os equipamentos já existentes nas secretarias, reduzindo custos e evitando gastos desnecessários com novas estruturas. A estratégia é diminuir despesas com aluguel, integrar órgãos públicos e garantir mais eficiência no uso do dinheiro da população.
Atualmente, o GDF calcula que os contratos de aluguel representam cerca de R$ 14 milhões por mês, o equivalente a aproximadamente R$ 168 milhões por ano. Apenas com a transferência das cinco secretarias previstas nesta primeira fase, a economia anual estimada supera R$ 18 milhões. A projeção é que, com a ocupação gradual e a integração administrativa ao longo dos próximos 15 anos, a economia possa chegar a R$ 6 bilhões.
Para Celina Leão, a ocupação do CAD-DF não representa apenas corte de gastos, mas também uma mudança de visão sobre a presença do governo no território. A descentralização administrativa pode desafogar o Plano Piloto, melhorar a mobilidade e fortalecer regiões que concentram grande parte da população do Distrito Federal.
A chegada dos servidores ao complexo também gera expectativa entre moradores e comerciantes de Taguatinga, Ceilândia e Samambaia. A avaliação é que a ocupação do CAD-DF deve movimentar o comércio, valorizar imóveis, gerar novas oportunidades e colocar a região no centro das decisões administrativas do DF.
“A gente espera que essa mudança traga mais movimento, mais clientes e mais oportunidades para quem trabalha aqui perto. Esse prédio ficou parado por muito tempo. Agora, parece que finalmente vai ter utilidade para a população”, afirmou Renata Oliveira, moradora de Taguatinga.
Em Ceilândia, comerciantes também veem a medida com otimismo. “A chegada dos servidores pode mudar a rotina da região. Vai ter mais gente circulando, mais consumo e mais valorização para quem vive e trabalha aqui”, disse o comerciante Francisco Carvalho.
Moradores de Samambaia também comemoram a descentralização. “Nem tudo precisa ficar concentrado no Plano Piloto. Trazer órgãos do governo para esta região é reconhecer a importância de quem mora fora do centro de Brasília”, afirmou Thiago Nunes.
Para o cientista político Paulo Melo, a decisão reforça o perfil de gestão de Celina Leão neste início de governo. Segundo ele, a governadora tem tomado medidas com impacto direto na economia de recursos públicos e na reorganização da administração.
“Celina Leão demonstra, em pouco mais de dois meses de governo, coragem para tomar decisões importantes. O CAD-DF era um problema antigo, que muitos governos não conseguiram resolver. Ao colocar esse espaço para funcionar, ela mostra responsabilidade com o dinheiro público e compromisso com aquilo que realmente importa: fazer sobrar mais recursos para cuidar das pessoas”, avaliou Paulo Melo.
O cientista político também destacou o simbolismo da medida. “Essa decisão tem uma força política muito grande, porque mostra um governo que não quer empurrar problemas com a barriga. Ocupar o CAD-DF é reduzir desperdícios, integrar secretarias, fortalecer a região oeste do DF e transformar um prédio parado em instrumento de gestão pública”, completou.
Nos bastidores, a avaliação é que a ocupação do CAD-DF pode se tornar uma das marcas administrativas de Celina Leão. A medida une economia, descentralização e desenvolvimento regional, três pontos considerados estratégicos para um governo que busca ampliar investimentos em áreas essenciais, como saúde, educação, segurança pública, infraestrutura e assistência à população.
A próxima etapa envolve a continuidade das adequações internas e os projetos de infraestrutura viária necessários para ampliar a ocupação do complexo. A Secretaria de Obras já trabalha na elaboração dos projetos para a construção de dois novos viadutos de acesso ao CAD-DF, medida considerada essencial para permitir a ocupação integral do empreendimento.
Com a decisão, Celina Leão inicia uma nova fase para o antigo Centrad. Depois de anos de espera, o CAD-DF começa a deixar de ser símbolo de paralisação para se transformar em símbolo de economia, eficiência e desenvolvimento. Para o governo, mais do que ocupar prédios, a medida representa uma escolha política: gastar menos com aluguel, integrar a administração e colocar o dinheiro público a serviço da população.



